quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Filhos em primeiro lugar, sempre.

O que mais ouço em minhas rodas de amigos, conhecidos, clientes, é "DOIS filhos? Como você consegue?". Perguntam isso porque pareço fazer milagres. Sou dona da minha própria empresa de Assessoria de Imprensa, junto com minha querida sócia. Estamos sempre cheias de trabalho e uma equipe para tocar. Ao mesmo tempo, sou casada e tenho dois filhos pequenos. O mais velho, nasceu em 2008, eu tinha 25 anos recém-completados. A mais nova tem 18 meses, nasceu em 2010.
Ja minha empresa nasceu em 2004. Casei-me em 2005. Ah, não posso esquecer da minha labradora, de 4 anos de idade, que entrou em minha vida em 2007. Pouco depois de sua chegada, engravidei pela primeira vez.
Enfim, é muito pouco tempo, para muita assumir muitas responsabilidades! Muitas vidas. A vida dos funcionarios,que dependem do andamento da empresa, a vida de um pet que exige os mais variados cuidados (e caminhadas diárias), a vida de um marido - quem mais sofre com meus multiplos papeis - e a vida dos dois seres mais importantes da minha vida: meus filhos.
Sim, porque, depois dos filhos, nada é mais importante. Nem a reunião que vale milhões, o aniversário da melhor amiga, o casamento do primo querido. Os filhos ganham prioridade.
Falar aqui de tudo que um filho é capaz de causar na vida de uma mãe, para quem ja é mae (ou pai) vai entender fácil. Para quem nao tem, vai achar o maior papo chato, de mãe coruja, e lembrar da própria mãe.
Isso mesmo, a gente se torna mais parecidos com nossos pais, e imediatamente após o parto ja passamos a compreendê-los e enxergá-los como verdadeiros heróis.
"Nossa, naquela época deve ter sido bem mais complicado ter um bebê! Como foram corajosos comigo!". E assim, o respeito que ja existe, pois é exigido e ensinado, passa a ser natural, obrigatório.
Temos a tendência ao egoísmo, como seres humanos vivendo nessa sociedade maluca, cheia de competição. Os filhos te tiram dessa posição. "Hei, acorda mané, tem alguem MUITO mais importante do que você".
A fragilidade do ser humano fica evidente ao termos um filho. A gente passa a entender a dor da mãe que perde um filho e conta sua história no Jornal Nacional. A gente chora junto, se coloca no lugar, entende que aquilo é a maior injustiça que alguem pode viver. Ah, e a gente morre de medo.
Medo. Essa palavra volta com força total após a chegada do filho. A linha entre a pura neurose e a responsabilidade é muito tênue. Mas o fato é que temos medo de o filho ficar doente, de o filho cair, machucar, doer, sofrer... Esse medo nos acompanha ano após a ano. Temos a sensacao de que quando deixar de ser um bebezinho melhora, mas nao. O medo só aumenta. Aquele cidadão crescendo debaixo dos seus olhos nao pode, nao tem o direito de sofrer!
Os clichês que se lê na revista Caras sao a mais pura verdade: "Depois do meu filho nada mais importa"; "Virei uma mãe leoa", "Dane-se a dieta o que importa é meu filho"(ops, essa última acho que ningém vê na Caras...).
E aí, em meio a tudo isso, a gente trabalha, corre atrás dos nossos sonhos profissionais, individuais, nossas responsabilidade de adultos com o banco, com os pais, com os amigos, etc etc etc.
É comum eu ouvir em festas de aniversario ("de adultos e sem brinquedos", como explico para o meu filho) as perguntas espantadas de todos: "Como você tem vida social? Quem está com seus filhos?".
A sociedade mudou muito. A mulherada quer conquistar o mundo. Então, de repente, ter dois filhos nos dias de hoje para uma profissional, parece muito mais difícil do que antes, quando a tecnologia era menos desenvolvida, e as mães tinham que lavar as fraldas de pano e ferver as mamadeiras. Que estranho, hoje a vida é cheia de facilidades. Babás cada vez mais qualificadas (e caras), escolinhas bilingues, cameras conectadas na internet para os pais acompanharem o dia a dia dos filhos, fornecedores de festas infantis ao alcance de um Google.
É isso que respondo à pergunta "COmo voce consegue?".
Basta querer!
No fundo, o medo de sermos pais é mais profundo do que "como vou conciliar com a carreira". Uma das mulheres mais poderosas do mundo hoje, que acaba de assumir a Vice Presidencia do Facebook, tem dois filhos, engravidou aos 25 anos, assim como eu, e chegou ao topo. Carreira invejavel, apaixonada pela familia E pelo trabalho.
IT IS POSSIBLE, guys.
Antes que os mais "caseiros" e ligados por cordao umbilical aos filhos, mesmo aqueles com 30 anos de idade, dizerem que isso é só é possivel abrindo mao de momentos familiares valiosos, adianto: CLARO que abrimos mao de montes de coisas.
Tenho uma grande amiga, fofa que adoro, mae de dois filhos EXEMPLARES, daqueles que você olha e diz: como ela conseguiu educar esses meninos assim? Ela nao trabalha. Largou a carreira quando engravidou e o marido banca a vida da família. Quando a vejo contando das apresentacoes de balé da filha e das conquistas do mais velho no hipismo, a forma como ela acompanha tudo tão de perto é comovente. Cercada de tarefas, é uma verdadeira empresária da vida de seus filhos e do marido, cuidando de absolutamente tudo com bom humor e mais importante - com ENORME prazer.
Conclusao: a regra é SER FELIZ. O que te realiza? Ser uma profissional, ter aquele dia agitado, cheio de metas e desafios, pessoas diferentes, apertos de mão, conquistas, dinheiro; OU ser uma maezona e dona-de-casa moderna (aquela que orienta a empregada mas nao precisa colocar a mao na massa pra valer, entende?).
Quem julga as mulheres que nao trabalham e vivem para os filhos, está no fundo com inveja dessa vida, cansada da rotina pesada do mercado de trabalho. Desejando ser madame!!! Quem julga as que trabalham o dia inteiro e veem os filhos por poucas horas durante a semana, no fundo tem inveja da vida agitada e da bagagem sempre cheia de novidades.

Eu AMO minha vida profissional e minha vida em família - como ja disse, os filhos vêm em primeiro lugar - mas o trabalho me motiva, me fascina, adoro conquistar, até errar eu gosto, pois aprendo, sofro e depois quero refazer e surpreender.
Ao mesmo tempo seria capaz de passar HORAS admirando a beleza e inocencia dos meus filhos. Seus olhares, seus dedinhos, suas conclusoes engraçadas.

Meu dia a dia é mega calculado. Nada pode sair do horário senao tudo desanda. A minha estrutura se resume a 1 empregada das 8 äs 16h; escolinha das 9h30 às 18h30 para os meninos; 1 marido super participativo; avós que moram perto e quebram ALTOS galhos.

E assim, a gente se adapta ao que temos por perto. Se nao tivesse isso, teria outra coisa!

Se hoje escrevi esse texto gigante, pode ser que amanhã nao tenha tempo nem pique - porque a energia acaba, tem horas. Mas eu com certeza volto! Tem muito assunto para destrinchar quando o tema é filhos+trabalho.

Mantenha-se por perto!

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